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Sergio Galvão

24 de fev. de 2011

Pré-Vestibular Quilombola

VINTE JOVENS QUILOMBOLAS SÃO APROVADOS EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS!

O Pré-Vestibular Quilombola surgiu do forte incenti­vo da Educafro Nacional, através do Prof. Flávio que saiu de São Paulo e foi trabalhar naquela região.


Entre estes vinte jovens temos a primeira quilom­bola APROVADA no curso de MEDICINA, no campus I da Universidade Federal da Bahia, em Sal­vador. Marina
Barbosa da Silva, 19 anos, participou de dois pré-vestibulares comunitários (GRIOT e Quilombola) e estava já no seu 06º vestibular para Medicina! *“Meu grande sonho é me formar e voltar para a minha comunidade. Até porque lá
nunca foi um médico e eu quero poder ajudar o meu povo”. *

Atendendo jovens de comunidades quilombolas reconhecidas e identificadas de diversos municípios da região sudoeste da Bahia, o pré-vestibular quilombola aprovou vinte alunos do cursinho pré-vestibular quilombola de Vitória da Conquis­ta em vestibulares 2011.1 da UESB, UFBA e UEFS. Com a aprovação das políticas de ações afirmativas, também co­nhecidas como cotas, em todas as universidades públicas da Bahia, algumas instituições adotaram cotas adicionais especí­ficas para segmentos sociais mais atingidos pela desigualdade de oportunidades: quilombolas, indígenas e pessoas com defi­ciência. O Pré-Vestibular Quilombola surgiu do forte incenti­vo da
Educafro Nacional, através do Prof. Flávio que saiu de São Paulo e foi trabalhar naquela região. Foi um verdadeiro missionário da inclusão! A realidade de exclusão destacou a necessidade de uma preparação que viesse a suprir as lacunas acumuladas durante as trajetórias escolares dos jovens qui­lombolas desde a educação básica, com todas as dificuldades impostas pelos péssimos serviços públicos. Os outros obstá­culos são: as grandes distâncias, escolas fora das comunida­des, preconceito, pobreza e falta de recursos básicos, como transporte escolar e energia elétrica nas casas. “O povo or­ganizado superou e venceu! Está é a nossa proposta para todos os pobres do Brasil: vamos nos organizar e vencer! Tudo isto só foi possível por causa da conquista das cotas que eliminou a concorrência injusta com os alunos ricos que tem dinheiro para pagar as melhores escolas, não trabalham e são tratados a bifinho e danoninho”, afirmou o Frei David. O que o povo negro e pobre de São Paulo deve fazer para tomar as vagas na MEDICINA, na ODONTO, no DIREITO,
etc. da USP que continua sendo só ocupada pela classe dominante e, cada vez mais ampliando a exclusão do povo negro? Qual é sua opinião?

ATENÇÃO INTERESSADOS NA ZUMBI DOS PALMARES

Sejam guerreiros/as e lutem por seus sonhos.

 
A Faculdade Zumbi dos Palmares acaba de firmar uma nova parceria com a Educafro. Teremos bolas de estudos com valores a partir de R$ 147,50. Os interessados(as) devem comparecer nesta quinta-feira dia 24/02 às 18 horas na sede para orientações e encaminhamentos.

A novidade fica por conta da fantástica parceria, que permite aos interessados(as) nos cursos de  Publicidade e Propaganda, Pedagogia e Transporte de indicarem duas pessoas que pagarão apenas 50%. Na medida que os dois convidados  se matriculem aquele que os indicou receberá a bolsa integral.
Confira a tabela de cursos e valores :



ACORRENTADOS

PROTESTO NOS PORTÕES DAS ESCOLAS

 
 A falta de seriedade por parte de muitas escolas, na aplicação da lei 10.639, promulgada em 2003, pelo Presidente LULA, que define a obrigatoriedade do ensino da História dos Negros nas escolas PAR­TICULARES E PÚBLICAS, levou a Educafro a investir na preparação de atos políticos de Cidadania, a acontecer nos próximos meses. Dois grupos formados por 10 Militantes Negros, em cada grupo es­tarão treinados para fazer protestos relâmpagos. A Missão consiste em acorrentarem-se bem cedo, nos portões da escola, antes da abertura, dificultando a entrada dos alunos. Todos os alunos serão levados a refletir através de um panfleto, a ser distribuído naquele local. Será assim realizado: um dia em uma escola particular e no outro em uma Pública. E assim sucessivamente. O objetivo é despertar a responsabilidade das escolas particulares e públicas sobre a importância da lei 10.639. As primei­ras escolas a serem ocupadas serão as que não estão colocando em prática a lei 10.639. Que dia acontecerá? Quais escolas serão as primeiras escolhidas? Estas informações estão guardadas a sete chaves! Militantes da Educafro: vamos à ação por mais respeito à história do nosso povo negro! Em sua opinião, após 8 anos, por que as escolas não colocam em prática esta lei? O que estaria alimentando esta postura?

Bancada negra quase dobra no Congresso

 

Embora representem 51% da população, afrodescendentes ocupam apenas 8,5% das cadeiras no Parlamento

Levantamento mostra que subiu de 25 para 43, na atual legislatura, o número de deputados que se autodeclaram afrodescendentes. Para lideranças do movimento negro, dados mostram sub-representação e exclusão racial

Fábio Góis
A representação negra cresceu no novo Congresso. O número de deputados que se autodeclaram negros saltou de 25 (5%), no começo de 2007, para 43 (8,5%) na atual legislatura. De maneira mais tímida, também aumentou a relação de deputados estaduais e distritais que se apresentam como afrodescendentes: passou de 30 para 39. No Senado, a bancada continua reduzida a apenas dois senadores: Paulo Paim (PT-RS) e Magno Malta (PR-ES).
Os dados fazem parte de levantamento feito pela União de Negros pela Igualdade (Unegro) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo se baseia em informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e nas declarações dos próprios parlamentares para traçar um mapa da participação negra na política brasileira.

Os parlamentares que se autodeclaram afrodescendentes
Apesar do crescimento, a presença dos negros no Legislativo ainda reflete um país marcado pela exclusão racial. Essa é a avaliação de lideranças do movimento negro sobre os resultados da pesquisa. "Esse fato revela o grande escândalo nacional da exclusão racial. Não consigo compreender como uma população com mais da metade de negros é tão mal representada no Congresso. Ora, para a nação ser justa, deveríamos ter também 51% de afrobrasileiros no Parlamento", afirma o diretor nacional da organização não-governamental Educafro, Frei David.
O coordenador de comunicação da Unegro, Alexandre Braga, diz que a pesquisa mostra como os negros ainda estão fora do processo decisório da política brasileiro. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51,1% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos.
"É uma grande discrepância. Em termos de representação parlamentar, há uma disparidade muito grande. Em outros setores – como educação, saúde e violência – você constata que a população negra sempre está na escala mais baixa. A pesquisa mostra que estamos sub-representados também no poder político", avalia Alexandre, que coordenou o estudo, batizado de "Balanço eleitoral do voto étnico negro e presença dos negros no parlamento". Confira a pesquisa.
Sub-representação em números
Mais da metade dos 43 deputados que se autodeclaram negros está concentrada em apenas três partidos: 14 no PT, seis no PMDB e outros seis no PRB. Os demais estão distribuídos por nove legendas: PCdoB (4), DEM (3), PDT (3), Psol (2), PR (1), PSC (1), PSB (1), PTB (1) e PSDB (1).
Menos da metade das 27 unidades federativas tem representantes negros na Câmara. Estado com a maior população negra, a Bahia aparece ao lado do Maranhão e do Rio de Janeiro como a bancada com maior número de integrantes afrodescendentes. Cada um desses estados elegeu sete representantes negros. Minas Gerais vem em seguida com cinco nomes. Ceará e São Paulo, com três, Amapá, Acre, Roraima e Pará, com dois, e Espírito Santo, Tocantins e Pernambuco, com um cada, completam a relação.

Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais são também os estados brasileiros que mais elegeram deputados estaduais negros, segundo o estudo da Unegro. A pesquisa mostra que em sete assembléias legislativas (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) não há nenhum parlamentar que se autodeclara negro. O estudo também mostra que há apenas 52 vereadores que consideram afrodescendentes nas capitais brasileiras. A Câmara Municipal de Salvador, com 16 negros, é a que tem mais parlamentares de origem negra.
Peso da bancada
O balanço eleitoral revela um "voto étnico negro" ainda tímido, mas com potencial de crescimento no âmbito parlamentar. "Esse trabalho não teve o objetivo de identificar se o parlamentar era branco ou negro. Mas queria identificar o peso da bancada negra no Parlamento", diz Alexandre Braga, da Unegro.
O "peso da bancada negra" ao qual Alexandre se refere pode ser entendido como o potencial da causa da igualdade racial em arregimentar congressistas em sua defesa, o que pode ser medido pelo tamanho da Frente Parlamentar Negra no Congresso Nacional, que reunia até o início deste ano 220 deputados e quatro senadores. Em outras palavras, quanto mais congressistas identificados com a bandeira do colegiado e incluídos na frente parlamentar, mais poder de fogo a causa racial teria no Parlamento.
Criada em maio de 2007, a frente é composta por parlamentares de diversas origens étnicas, que reforçam o time dos 43 deputados e dois senadores na luta contra a desigualdade racial. Na avaliação de Alexandre Braga, o fato de haver muitos mestiços no Congresso acaba favorecendo a atuação da frente parlamentar.
"De certa forma, a bancada não tem o objetivo de demarcação entre mestiços e não mestiços. Na verdade, o nome correto da Frente é Frente Parlamentar Mista de Igualdade Racial. Obviamente, entra todo mundo – negro, indígena, mestiço, branco. Quanto mais adesão, melhor. Queremos ser tão respeitados como a bancada ruralista, a da criança e do adolescente, a da mulher", afirma.
Hora da virada
Fundador da Educafro, Frei David também acredita que o leque de composição da Frente Parlamentar da Igualdade Racial transpõe restrições genéticas. "Na verdade, a frente tem uma lógica diferente. Pode entrar qualquer deputado ou senador que acredita e sempre lutará em prol da causa", completa Frei David, citando o ex-senador Marco Maciel (DEM-PE) e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), como exemplos de parlamentares que se comprometeram com a bandeira da igualdade racial.
"O fato de estar na frente não significa que o parlamentar tem um pé na África", resume Frei David, elogiando a Unegro ao se dizer "feliz em saber que as entidades vêm trabalhando com técnica e estratégica para a vitória do povo negro acontecer". Vitória que, para ele, depende da consciência e do engajamento da própria população negra. "O problema está em todos os setores da sociedade, mas principalmente na própria falta de consciência de parte da comunidade negra. A virada se dará somente quando o negro gostar de ser negro e se assumir como tal. Vou confessar que só aos 23 anos me assumi como negro", admite Frei David.
    
Autodeclaração
Para que um parlamentar fosse considerado negro e incluído nas estatísticas do levantamento, foi utilizado o critério da autodeclaração, quando o próprio congressista se afirma como tal junto às assessorias das respectivas instituições públicas. Caso do deputado Irajá Abreu (DEM-TO), que, com características de uma pessoa morena, diz se considerar negro. Ele é filho da senadora Kátia Abreu (DEM-TO).
"Seguimos o critério do IBGE para qualquer tipo de pesquisa, levantamento ou análise, que é o da autodeclaração", explica o coordenador de comunicação da Unegro, Alexandre Braga. "Depois, entramos em contato com todas as assessorias das assembleias para confirmar se o deputado realmente se afirmava como negro", acrescenta.

De acordo com o coordenador, o estudo pode ser aperfeiçoado com a ajuda dos próprios parlamentares. "Aquele parlamentar que tomou conhecimento do estudo e não viu seu nome incluído na lista pode acabar procurando a Unegro e se dizer negro."
O primeiro parlamentar federal negro eleito foi Eduardo Gonçalves Ribeiro, que exerceu mandato de 1897 até sua morte, em 1900. Filho de escrava, ele havia sido o primeiro afrodescendente a assumir um governo de província, a do Amazonas, entre 1892 e 1896